Vale a pena investir 50 reais em FIIs?

Qual o Melhor Fundo Imobiliário de Tijolo Base 10?

GARE11 e GGRC11 são, na minha visão, os dois melhores fundos de tijolo base 10 da atualidade. Ambos têm vacância baixíssima, DY acima de 12% e P/VP descontado. O GARE11 se sobressai ligeiramente pela vacância zero, liquidez maior e um desconto um pouco mais agressivo (P/VP de 0,88 ante 0,90 do GGRC11). Mas os dois são excelentes. Além deles, há três fundos que correm por fora – TEPP11 (DY de 13,93% e P/VP de 0,84), RBVA11 (DY de 12,22% com dividendo de R$ 0,09) e CPSH11 (DY de 13,35% e P/VP de 0,86) – que também merecem atenção para quem busca renda passiva mensal com pouco dinheiro. A escolha não é sobre qual é “melhor”, mas sobre qual se encaixa no seu perfil.

Dois gigantes, uma mesma prateleira

Investir em fundos imobiliários (FIIs) tem se tornado cada vez mais acessível. Com a popularização dos fundos base 10 – aqueles com cota próxima de R$ 10 –, qualquer pessoa com pouco dinheiro pode começar a receber dividendos mensais isentos de IR e construir uma renda passiva consistente.

No centro das atenções estão GARE11 e GGRC11. Ambos são fundos de tijolo, com ativos logísticos, industriais e de renda urbana. Ambos são base 10 (ou próximos disso). E ambos têm entregado resultados sólidos.

Mas será que um é melhor que o outro? E o que dizer de outros fundos que, embora menos comentados, mantêm dividendos consistentes e podem ser grandes promessas no longo prazo?

Vamos aos números – e às opiniões.

GARE11: o fundo que zerou a vacância

O GARE11 é administrado pela Guardian Gestora e tem se destacado pela eficiência operacional. Atualmente, o fundo é negociado a cerca de R$ 8,15, com um DY (12M) de cerca de 12,25% e P/VP de 0,88 – ou seja, está sendo negociado com um desconto de 12% sobre o valor patrimonial.

Os números impressionam:

  • Vacância: 0,00% – todos os imóveis estão locados e pagando.
  • Patrimônio líquido: R$ 2,72 bilhões (Relatório Gerencial abril/2026).
  • Valor patrimonial por cota: R$ 9,39.
  • Liquidez diária: R$ 11,89 milhões – volume alto, fácil de entrar e sair.
  • Base de cotistas: 522 mil.

O GARE11 tem um portfólio diversificado entre ativos logísticos e de renda urbana, com contratos atípicos de longo prazo (média de 10 anos) e inquilinos de primeira linha como GPA, Carrefour, Grupo Mateus, Air Liquide e Mercado Livre.

Pontos de atenção: O fundo cobra taxa de performance de 20% sobre o que exceder IPCA + 6% ao ano, o que pode impactar a rentabilidade líquida em anos de performance excepcional. Além disso, passou por uma grande emissão de R$ 1,27 bilhão recentemente, que pode diluir o dividendo por cota no curto prazo.

Lembrando que os dados, como cotações e indicadores, mudam diariamente. No momento da publicação deste artigo, as informações foram extraídas do Investidor 10.

GGRC11: solidez e escala

O GGRC11 (Zagros Renda Imobiliária) é outro gigante do segmento. Negociado a cerca de R$ 9,95, com DY (12M) de 12,23% e P/VP de 0,90, o fundo também negocia com desconto (10% abaixo do patrimônio).

Indicadores:

  • Vacância: 0,19% – praticamente zero.
  • Patrimônio líquido: R$ 2,36 bilhões.
  • Valor patrimonial por cota: R$ 11,08.
  • Liquidez diária: R$ 11,30 milhões.
  • Base de cotistas: 356 mil.

O GGRC11 tem 35 imóveis e cerca de 710 mil m² de ABL, com foco em ativos logísticos e industriais. A taxa de administração é de 1,10% ao ano e o fundo não cobra taxa de performance – um ponto positivo para o cotista.

Pontos de atenção: O P/VP de 0,90 ainda é atrativo, mas o GARE11 está mais descontado (0,88). A liquidez do GARE11 também é ligeiramente maior.

Lembrando que os dados, como cotações e indicadores, mudam diariamente. No momento da publicação deste artigo, as informações foram extraídas do Investidor 10.

Comparativo rápido: GARE11 vs GGRC11

IndicadorGARE11GGRC11
CotaçãoR$ 8,15R$ 9,95
DY (12M)~12,25%12,20%
P/VP0,880,90
Vacância0,00%0,19%
Patrimônio LíquidoR$ 2,72 biR$ 2,36 bi
VP/cotaR$ 9,39R$ 11,08
Liquidez diáriaR$ 11,89 MR$ 11,30 M
Cotistas522 mil356 mil
Taxa de adm.0,94%–1,00%1,10%
Taxa de performance20% (IPCA + 6%)Não cobra

Ambos são excelentes opções. Se você prioriza desconto maior e vacância zero, o GARE11 leva vantagem. Se prefere simplicidade (sem taxa de performance) e maior escala de ABL, o GGRC11 é uma escolha sólida.

Os fundos que correm por fora: TEPP11, RBVA11 e CPSH11

Além dos dois gigantes, há três fundos que, embora menos comentados, mantêm dividendos consistentes e podem ser grandes promessas no longo prazo.

TEPP11 – Tellus Properties

O TEPP11 é um fundo de lajes corporativas focado em imóveis bem localizados com potencial de revitalização. O grande destaque é o dividendo: R$ 0,13 por cota, com DY de 13,93% e cotação de R$ 8,05.

  • Vacância: 5,69% – subiu recentemente, mas ainda controlada.
  • P/VP: 0,84 – o mais descontado do grupo, com desconto de 16%.
  • Patrimônio líquido: R$ 475 milhões.
  • É um fundo de tijolo com ativos concentrados em São Paulo.

Pontos de atenção: O segmento de lajes corporativas sofreu com o home office, mas a gestão tem feito um bom trabalho de reposicionamento. A vacância de 5,69% merece acompanhamento.

Lembrando que os dados, como cotações e indicadores, mudam diariamente. No momento da publicação deste artigo, as informações foram extraídas do Investidor 10.

RBVA11 – Rio Bravo Renda Varejo

O RBVA11 é um fundo de varejo de rua com 70 imóveis e 69 contratos de locação. O dividendo é de R$ 0,09 por cota, mantido desde dezembro de 2024 – o que dá previsibilidade ao fluxo de caixa.

  • DY anualizado: 12,22%.
  • Cotação: R$ 8,86.
  • P/VP: 0,83 – também muito descontado.
  • Patrimônio líquido: R$ 1,67 bilhão.
  • Locatários: Caixa (19 contratos), Pão de Açúcar (8), Itaú, Renner, Panvel e Centauro.
  • O fundo tem feito reciclagem ativa do portfólio: já são 32 vendas desde 2019, com lucro acumulado de R$ 104 milhões.

Pontos de atenção: O fundo ainda tem imóveis vagos, o que pressiona a rentabilidade no curto prazo. Mas a estratégia de reciclagem tem gerado resultados.

Lembrando que os dados, como cotações e indicadores, mudam diariamente. No momento da publicação deste artigo, as informações foram extraídas do Investidor 10.

CPSH11 – Capitânia Shoppings

O CPSH11 é um fundo de shoppings centers, com um portfólio de ativos de alta qualidade como Iguatemi Alphaville, Midway Mall e Shopping Parque Dom Pedro. O dividendo é de R$ 0,11 por cota, com DY de 13,35%.

  • Cotação: em torno de R$ 10,03.
  • P/VP: 0,86.
  • Patrimônio líquido: R$ 1,42 bilhão.
  • Captação recente: R$ 489 milhões para novas aquisições.

Pontos de atenção: O segmento de shoppings é mais sensível ao ciclo econômico, mas o CPSH11 tem focado em ativos dominantes e bem localizados.

Lembrando que os dados, como cotações e indicadores, mudam diariamente. No momento da publicação deste artigo, as informações foram extraídas do Investidor 10.

Quadro comparativo dos 5 fundos

FundoSegmentoCotaçãoÚltimo DividendoDY (12M)P/VPVacânciaPatrimônio Líquido
GARE11Híbrido (Log/RU)R$ 8,15R$ 0,083~12,0%0,880,00%R$ 2,72 bi
GGRC11Logístico/IndustrialR$ 9,88R$ 0,1012,23%0,900,19%R$ 2,36 bi
TEPP11Lajes CorporativasR$ 8,05R$ 0,1313,93%0,845,69%R$ 475 mi
RBVA11Varejo de RuaR$ 8,86R$ 0,0912,22%0,83~6,5%R$ 1,67 bi
CPSH11ShoppingsR$ 9,98R$ 0,1113,35%0,86~3%R$ 1,42 bi

Fontes: Investidor10, dados de mercado de 22/06/2026.

O que você precisa considerar antes de escolher

1. Perfil de risco: Se você é mais conservador, fundos com vacância zero (GARE11) e contratos atípicos longos (GARE11, GGRC11) oferecem mais previsibilidade. Se tem mais apetite a risco, o CPSH11 (shoppings) pode oferecer maior yield, mas com mais volatilidade.

2. Objetivos de investimento: Se busca renda passiva com pouco dinheiro, todos esses fundos são base 10 (ou próximos) – com poucas cotas você já começa a receber dividendos mensais. O TEPP11, com R$ 0,13 por cota, é o que paga o maior valor por cota entre os cinco.

3. Diversificação: Ter mais de um desses fundos na carteira pode reduzir riscos setoriais. Combine um híbrido (GARE11), um logístico (GGRC11) e um de varejo/shoppings (RBVA11 ou CPSH11) para equilibrar.

4. Acompanhamento: O mercado imobiliário é dinâmico. Acompanhe os relatórios gerenciais mensais – todos esses fundos divulgam regularmente. O GARE11, por exemplo, já teve grandes emissões e vendas de ativos que mudaram seu perfil.

Minha visão: GARE11 e GGRC11 são os melhores, mas cada um tem seu lugar

Depois de analisar os números, a minha conclusão é clara:

GARE11 e GGRC11 são, hoje, os dois melhores fundos base 10 do mercado de FIIs de tijolo. Ambos têm gestão competente, vacância controlada, DY atrativo e patrimônio sólido. A escolha entre eles é mais sobre perfil do que sobre qualidade.

Se eu tivesse que escolher um, o GARE11 se sobressai ligeiramente sobre o GGRC11 – pela vacância zero, pelo P/VP um pouco mais descontado e pela liquidez maior. Mas a diferença é pequena. O GGRC11, com sua taxa de administração mais alta, compensa com a ausência de taxa de performance e um portfólio de maior escala.

Mas não ignore os que correm por fora. TEPP11, RBVA11 e CPSH11 têm mostrado consistência e podem ser excelentes complementos para uma carteira diversificada. O TEPP11, com seu DY de 13,93% e P/VP de 0,84, é o mais descontado do grupo – pode ser uma oportunidade para quem acredita na recuperação do segmento de escritórios. O RBVA11, com seu P/VP de 0,83, é o mais barato em termos relativos. E o CPSH11 entrega o maior DY do grupo, com 13,35%.

E, olhando para o meu perfil, o TEPP11 é o que mais me chama a atenção pelo desconto, mas a vacância subiu – então vou continuar acompanhando antes de decidir.

O segredo não está em encontrar o “melhor fundo”. Está em entender seus objetivos, acompanhar os relatórios e não colocar todos os ovos na mesma cesta.

E lembre-se: investir com pouco é possível. Com R$ 50, R$ 100, você já pode começar a construir sua renda passiva mensal. O importante é começar.

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Aviso importante: Este artigo é uma análise com visão individual baseada em dados públicos e na experiência do autor. Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Cada investidor deve avaliar sua própria realidade e perfil de risco. Rentabilidade passada não garante retorno futuro. Fundos imobiliários não são garantidos pelo FGC.

Anderson Nascimento

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