MEI virou ME? Veja os 7 passos para fazer a transição em Florianópolis (SC)

Você era MEI, faturou mais de R$ 81 mil, contratou um segundo funcionário ou incluiu uma atividade que o MEI não permite — e agora virou ME (Microempresa). A transição de MEI para ME é o próximo passo natural de quem cresceu. Mas ela exige atenção imediata: mais impostos, contabilidade obrigatória, emissão de notas completas com os novos campos da Reforma Tributária (IBS/CBS) e novas regras fiscais. Neste artigo, vou te mostrar os 7 primeiros passos para fazer essa transição sem sustos — e sem perder dinheiro. Se você está em Florianópolis ou Santa Catarina, vale um alerta extra: as regras da Junta Comercial e do ISS podem ter particularidades locais, e um contador da região pode fazer toda a diferença para evitar erros.

Por que você virou ME (e por que isso é uma boa notícia)

Você saiu do MEI porque seu negócio expandiu. Seja por ter ultrapassado o limite de faturamento de R$ 81 mil por ano, contratado mais de um funcionário, ou por exercer uma atividade não permitida no formato antigo, isso é um sinal de evolução.

Agora, como Microempresa (ME), seu limite de faturamento inicial sobe para R$ 360 mil por ano. Você pode contratar mais colaboradores, emitir notas fiscais sem travas de volume e expandir de verdade. O preço do crescimento? Mais organização, contabilidade obrigatória e um regime tributário diferente.

Os 7 primeiros passos para quem virou ME

Passo 1: Contrate um contador (Agora é o ponto de partida)

No MEI, você podia cuidar de tudo sozinho. Na ME, isso não é mais possível. A contratação de um contador é 100% obrigatória pelo Código Civil Brasileiro. Como os próximos passos envolvem burocracia de contratos sociais e prazos com a Receita Federal, você deve iniciar o processo já com o apoio desse profissional para não errar os prazos e sofrer desenquadramentos retroativos com multas pesadas.

Atenção, empreendedor de Florianópolis: as regras da Junta Comercial de Santa Catarina (JUCESC) e o ISS municipal podem ter particularidades locais. Contar com um contador da região ajuda a evitar surpresas com alíquotas e prazos específicos da capital catarinense.

Passo 2: Atualize o registro na Junta Comercial do seu Estado

Diferente do que muitos pensam, você não começa pelo site do Simples Nacional. O processo de transformação de MEI para ME começa na Junta Comercial do seu estado (geralmente integrada ao sistema do Gov.br e Redesim). É necessário registrar o desenquadramento e formalizar o Contrato Social ou o Requerimento de Empresário, definindo o novo Capital Social e o formato jurídico da empresa (como uma LTDA Unipessoal, por exemplo).

Passo 3: Confirme o desenquadramento no Portal do Simples Nacional

Após a Junta Comercial processar a alteração, o desenquadramento do SIMEI (regime do MEI) deve ser comunicado e confirmado no Portal do Simples Nacional. O contador fará essa validação para garantir que você passe a recolher os impostos no formato correto (geralmente através do DAS do Simples Nacional para Microempresas, cujas alíquotas iniciais de serviço começam em 6%).

Passo 4: Escolha o regime tributário adequado

A sua ME precisa adotar um regime de tributação oficial para o restante do ano. As opções são:

  • Simples Nacional: O mais comum para quem está começando como ME, unificando os impostos em uma guia mensal progressiva.
  • Lucro Presumido: Indicado se a sua margem de lucro for muito alta ou se suas despesas operacionais forem baixas.
  • Lucro Real: Geralmente adotado por empresas maiores, onde o imposto é calculado sobre o lucro líquido real.

Passo 5: Adquira um Certificado Digital (e-CNPJ A1)

Para a Microempresa, o certificado digital deixa de ser opcional. Ele se torna essencial para assinar os livros contábeis, enviar as declarações de funcionários e emitir Notas Fiscais Eletrônicas. O modelo recomendado é o e-CNPJ A1 (em arquivo para o computador), que simplifica a automação dos processos e tem validade de um ano.

Passo 6: Adapte a emissão de Notas Fiscais (Atenção à Reforma Tributária)

Como ME, você deixa de utilizar o emissor simplificado de padrão nacional restrito ao MEI. A partir de agora, a sua emissão de notas exige maior detalhamento fiscal:

  • NFS-e (Serviços): Deve seguir o sistema homologado pela sua prefeitura local ou plataformas integradas de ERP.
  • NF-e / NFC-e (Produtos): Utiliza o sistema autorizado pela SEFAZ do seu estado, exigindo certificado digital próprio.

Fique atento ao planejamento: Embora o ano de 2026 marque o início dos testes obrigatórios dos novos campos informativos da Reforma Tributária (IBS e CBS) com direito a flexibilizações da Receita Federal para evitar rejeições de faturamento, essa fase inicial foca no Regime Regular.

Se a sua ME for optante pelo Simples Nacional, a obrigatoriedade de exibir esses campos integrados começará oficialmente em 1º de janeiro de 2027. Ainda assim, vale a pena garantir que seus softwares emissores estejam atualizados e preparados com antecedência.edência.

Passo 7: Abra uma Conta Bancária PJ Obrigatória

Se no MEI misturar contas era um erro de gestão, na ME é uma ilegalidade fiscal. A legislação exige a separação total entre o dinheiro da pessoa física (sócio) e da pessoa jurídica (empresa). Você deve abrir uma conta PJ (seja em bancos tradicionais ou digitais como Inter, Nubank ou Cora) para movimentar exclusivamente as receitas e despesas do negócio, incluindo o pagamento do seu pró-labore.

O que muda na prática (Resumo)

AspectoMEIME
Faturamento anualAté R$ 81 milAté R$ 360 mil
ContadorOpcionalObrigatório por lei
Certificado digitalDispensado para serviçosObrigatório (e-CNPJ)
ImpostosDAS de valor fixoAlíquota sobre o faturamento (mín. 6% para serviços)
Campos de Reforma TributáriaAutomatizados pelo governoObrigatórios no layout da nota (1% de teste)
Conta bancária PJRecomendadaObrigatória para a contabilidade

O que você precisa fazer agora (Resumo dos 7 passos)

  1. Contrate um contador: Ele guiará toda a transição legal. Se você está em Santa Catarina, busque um profissional com experiência local.
  2. Junta Comercial: Atualize a natureza jurídica e crie o contrato social.
  3. Portal do Simples: Valide e confirme o desenquadramento do MEI.
  4. Regime Tributário: Defina se usará o Simples Nacional ou Lucro Presumido.
  5. Certificado Digital: Compre o e-CNPJ modelo A1.
  6. Notas Fiscais: Configure seu novo sistema emissor com suporte a IBS/CBS.
  7. Conta PJ: Separe as finanças e movimente apenas dados da empresa.

Se você acabou de migrar de MEI para ME e quer evitar erros fiscais, entre em contato. Posso ajudar na transição da sua empresa e manter tudo regularizado. Atendo empreendedores de Florianópolis e de todo o Brasil.

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Aviso importante: Este artigo é um guia informativo baseado em fontes oficiais e na experiência do autor. Não constitui consultoria contábil ou jurídica. Cada empresário deve avaliar sua própria realidade e buscar orientação profissional especializada. As regras fiscais estão sujeitas a alterações.

Anderson Nascimento

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