Se tem uma coisa que eu aprendi na marra é que dívida não é brincadeira. Eu mesmo já me enrolei feio. Teve época em que parecia que o dinheiro entrava pela porta e saía pela janela. E, olha, não importa quanto você ganha: se não tiver controle, vai gastar tudo. O ditado é verdadeiro — quanto mais você ganha, mais você gasta.
Eu precisei estudar, fazer cursos de finanças pessoais e mudar meus hábitos. Não foi fácil, mas hoje consigo olhar pra trás e ver o quanto aprendi. Por isso, quero compartilhar com você os erros que eu mesmo cometi e que vejo muita gente repetindo. Se você se identificar, não se culpe: o importante é perceber e começar a mudar.
1. Querer Mostrar Que Está Bem de Vida
Esse foi meu maior erro. Eu queria mostrar que estava bem, que tinha dinheiro. Então gastava em roupas caras, restaurantes, eletrônicos… tudo parcelado. Era como se eu estivesse comprando status.
O problema é que essa “vida de aparência” cobra caro. Conheço gente que ganha bem, mas vive endividada porque quer manter um padrão que não condiz com a realidade. E quando vem uma crise, como perder o emprego ou ter uma despesa inesperada, a casa desmorona.
Vou te contar uma situação: certa vez, comprei um celular caríssimo só porque todo mundo no trabalho tinha. Parcelado em 12 vezes. No terceiro mês, já estava arrependido. O celular não mudou minha vida, mas a dívida pesava todo mês. Foi aí que percebi que não adianta parecer rico se, na prática, você está pobre e endividado.
Dica prática: antes de comprar algo só pra mostrar pros outros, pergunte: “Eu realmente preciso disso ou só quero impressionar?”. Essa pergunta simples já me salvou de várias compras inúteis.
2. Não Ter Controle dos Gastos
Outro erro clássico: gastar sem saber pra onde o dinheiro está indo. Eu achava que tinha noção, mas quando comecei a anotar tudo, percebi que estava gastando muito mais do que imaginava.
No começo, parecia chato anotar cada gasto. Mas quando vi que o cafezinho, o lanche da tarde e as pequenas compras somavam uma fortuna no fim do mês, caiu a ficha.
Hoje uso aplicativo de finanças, mas pode ser até um caderno simples. O importante é ter clareza. Sem isso, o cartão de crédito vira inimigo.
Exemplo real: uma vez, no fim do mês, percebi que tinha gastado quase R$ 500 só em delivery. Eu nem tinha percebido. Era “só um lanche aqui, só uma pizza ali”. Quando somei, fiquei chocado. Desde então, passei a cozinhar mais em casa e reduzi drasticamente esse gasto.
Dica prática: escolha um método que funcione pra você. Pode ser aplicativo, planilha ou papel. O importante é registrar tudo. E não subestime os pequenos gastos: eles são os maiores vilões.
3. Pensar Só no Agora
Eu era mestre em comprar por impulso. Via uma promoção, pensava “é agora ou nunca” e lá ia eu parcelar. O problema é que esse imediatismo cobra caro depois.
O que mudou minha vida foi começar a planejar. Se quero algo, junto dinheiro antes. Pode demorar, mas quando compro à vista, sem dívida, a sensação é muito melhor.
História pessoal: lembro de uma vez que vi uma TV em promoção. Não tinha dinheiro, mas pensei: “Ah, é só parcelar”. Comprei. Dois meses depois, precisei de dinheiro pra uma emergência e estava sem. A TV estava lá, mas eu estava endividado. Hoje, se quero algo, junto antes. E quando compro à vista, sinto orgulho.
Dica prática: faça uma lista de desejos e coloque prazos. Se você quer algo, planeje. Isso evita compras por impulso e dá tempo pra pensar se realmente vale a pena.
4. Apostas e Jogos de Azar
Confesso: já me deixei levar pela ideia de “ganhar dinheiro rápido”. Fiz apostas online achando que ia ser fácil. Resultado? Perdi dinheiro.
Depois percebi que investir de verdade, estudando e diversificando, é muito mais seguro. A promessa de ganho rápido quase sempre vira prejuízo rápido.
Exemplo: um amigo meu entrou pesado em apostas esportivas. No começo, até ganhou um pouco. Mas depois perdeu muito mais. Ele me disse: “É viciante, você acha que vai recuperar, mas só se afunda”. Isso me fez perceber que não vale a pena.
Dica prática: se você quer multiplicar seu dinheiro, estude investimentos. Pode começar com coisas simples, como Tesouro Direto ou fundos de índice. É muito mais seguro e, a longo prazo, dá resultado.
5. Gastar Até Zerar a Conta
Esse comportamento eu também tinha: se tinha dinheiro, gastava tudo. Nunca sobrava nada. E quando aparecia uma emergência, lá vinha o cartão ou empréstimo.
Uma dica que aprendi foi a “regra das cinco vezes”: só compro algo supérfluo se eu tiver cinco vezes o valor guardado. Parece exagero, mas funciona. E ter uma reserva de emergência é libertador.
História pessoal: quando consegui juntar minha primeira reserva de emergência, senti uma paz enorme. Antes, qualquer problema virava desespero. Hoje, sei que tenho um colchão financeiro. Isso muda tudo.
Dica prática: comece pequeno. Guarde 10% do que ganha. Se não der, guarde 5%. O importante é criar o hábito. Com o tempo, você vai ver a diferença.
Como Eu Saí Dessa
Não foi fácil. Precisei estudar, fazer cursos e mudar hábitos. Hoje eu:
- Vivo abaixo das minhas possibilidades.
- Anoto cada gasto.
- Planejo compras e evito parcelamentos.
- Invisto com calma, sem cair em promessas milagrosas.
- Tenho uma reserva de emergência que me dá paz.
E, principalmente, aprendi que dinheiro não é pra mostrar pros outros. É pra me dar tranquilidade.
Outras Armadilhas Que Aprendi a Evitar
Pra deixar ainda mais completo, vou citar outras situações que também podem te levar a dívidas:
- Cartão de crédito sem controle: ele pode ser um aliado, mas também um vilão. Se você não sabe usar, melhor evitar.
- Empréstimos fáceis: aqueles que aparecem como “solução rápida” quase sempre viram problema.
- Comparar-se com os outros: cada pessoa tem uma realidade. Não adianta querer viver como alguém que ganha mais.
- Não ter metas financeiras: sem objetivos, você gasta sem rumo. Com metas, você direciona seu dinheiro.
Conclusão
Sei bem como é cair nessas armadilhas financeiras, porque já estive lá. Mas também sei que dá pra sair. Com disciplina e pequenas mudanças, você consegue transformar sua relação com o dinheiro.
E lembra: não é sobre parecer rico, é sobre ter tranquilidade. Porque no fim das contas, liberdade financeira vale muito mais do que status.
Investir em educação financeira foi o que mudou minha vida. E pode mudar a sua também. Não precisa ser radical de uma vez. Comece com pequenos passos: anote seus gastos, evite compras por impulso, guarde um pouquinho todo mês. Com o tempo, você vai ver que funciona.

