Resposta curta: O GARE11 vive seu melhor momento em termos de ocupação (100% dos imóveis locados) e popularidade (511 mil cotistas, o 5º maior FII do IFIX). O dividendo de R$ 0,083 por cota (DY anual ~11,8%) é pago com regularidade, ancorado em contratos atípicos de longo prazo com gigantes como GPA, Carrefour, Air Liquide, Grupo Mateus e MRV.
Resumo rápido dos principais indicadores (para você não se perder)
| Indicador | Valor | O que significa |
|---|---|---|
| Dividendo mensal (abril/2026) | R$ 0,083 por cota | Pago em maio/2026, isento de IR para PF |
| Dividend Yield anual | ~11,8% (sobre cota de R$ 8,44) | Competitivo dentro do IFIX de tijolo |
| Preço da cota (30/04/2026) | R$ 8,44 | Negociando com desconto de 10% sobre o patrimônio |
| Patrimônio líquido por cota (VP) | R$ 9,39 | Valor contábil dos ativos |
| P/VP | 0,90 (10% de desconto) | Fundo está “barato” na B3 |
| Vacância física e financeira | 0% | Todos os 33 imóveis locados e pagando |
| Número de cotistas | 511.604 | 5º maior FII do IFIX, 3º maior de tijolo |
| Liquidez média diária | R$ 14,4 milhões | Volume alto – você vende quando quer |
| Alavancagem líquida | Negativa (caixa > dívida) | Fundo não depende de bancos para sobreviver |
| Caixa livre disponível | R$ 310 milhões | Pode comprar mais imóveis ou distribuir extra |
| Prazo médio dos contratos (WAULT) | 10,02 anos | Renda previsível por mais de uma década |
| Contratos atípicos | 94% do portfólio | Multa de rescisão integral – proteção gigante |
511 mil cotistas: por que todo mundo está entrando no GARE11?
O GARE11 fechou abril de 2026 com 511.604 cotistas. É o quinto maior fundo do IFIX em número de investidores e o terceiro maior puramente de tijolo (atrás apenas de pesos pesados como HGBS11 e KNRI11). Em menos de 6 anos (o fundo nasceu em 2020 como GALG11), a base de cotistas multiplicou exponencialmente.
Analogia da fila do pão: quando você vê uma fila enorme na padaria, desconfia: será que o pão está fresco? No caso do GARE11, a fila não é por moda – é por consistência. O fundo passou por uma transformação: saiu de um FII de logística pura para um FII de tijolo híbrido (61% renda urbana, 31% logística, 8% escritórios). A gestora (Guardian) fez uma 7ª emissão de R$ 1,27 bilhão, reduziu a alavancagem de 27% para -13% (caixa líquido positivo), e agora tem mais de R$ 310 milhões em caixa livre.
Resultado: o investidor médio percebeu que o GARE11 não é mais aquele fundo obscuro. É um dos favoritos de casas de análise (está em mais de 30 carteiras recomendadas) e entre os mais líquidos da B3 (R$ 14,4 milhões por dia).
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Vacância zero: como um fundo de tijolo consegue estar 100% locado?
O portfólio do GARE11 tem 33 imóveis, distribuídos em 15 estados, com 463 mil m² de ABL. E a taxa de vacância? Zero, tanto física quanto financeira. Isso significa: não tem um metro quadrado vago, e todos os aluguéis estão sendo pagos em dia.
Como isso é possível? O segredo está nos contratos atípicos (94% do portfólio). São contratos de locação de longo prazo (WAULT de 10 anos) com cláusulas que, em caso de rescisão antecipada pelo inquilino, exigem o pagamento de todos os aluguéis remanescentes – ou seja, o fundo não fica no prejuízo. Além disso, os locatários são de primeira linha: GPA (Pão de Açúcar), Carrefour (Atacadão), Grupo Mateus, Air Liquide, British American Tobacco, MRV, entre outros, a maioria com rating AAA ou AA.
Analogia do casamento com cláusula de fidelidade: esses contratos são como um casamento. Se o inquilino quiser separar antes do prazo, paga uma multa gigantesca (todos os aluguéis que faltavam). E com inquilinos ricos e bem comportados, a chance de separação é baixa.
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A estratégia de gestão: reciclagem, desalavancagem e guidance mantido
A Guardian gestora não é dorminhoca. Ela faz reciclagem de portfólio – vende imóveis com lucro e reinveste em ativos melhores. Prova: o fundo já realizou diversas vendas, gerando lucro distribuído e reduzindo a alavancagem. Hoje, a dívida líquida é negativa (o caixa supera o passivo). Isso é raríssimo em FIIs de tijolo.
Para 2026, a gestão manteve o guidance de dividendos entre R$ 0,083 e R$ 0,090 por cota. Em abril, distribuiu R$ 0,083 (pago em maio), o que dá um DY anualizado de 11,8% sobre a cota de R$ 8,44. Importante: o resultado operacional (DRE) mostra que o fundo gerou R$ 24 milhões líquidos em abril, suficiente para cobrir a distribuição. Não há “milagre” de venda de ativos para complementar dividendo – a renda vem dos aluguéis.
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O que o relatório não conta (e você precisa saber)
Apesar de todos os números positivos, a cota do GARE11 fechou abril a R$ 8,44, com P/VP de 0,90 (negociando 10% abaixo do patrimônio de R$ 9,39). Por que o desconto?
- Desconfiança com fundos híbridos: o mercado ainda não sabe precificar corretamente FIIs que misturam renda urbana, logística e escritórios. Alguns investidores preferem fundos de uma só classe, mais fáceis de comparar.
- Juros ainda altos: com Selic a 14,5%, muitos investidores preferem renda fixa. O DY de 11,8% do GARE11 perde para um CDB de bancão (13-14% líquido?) na conta bruta, mas o dividendo de FII é isento de IR para pessoa física. Na conta certa, o GARE11 ainda ganha.
- Medo de vacância futura: embora hoje esteja zerada, nada garante que um inquilino não saia. Mas os contratos atípicos e a multa integral minimizam esse risco.
Minha visão: o desconto de 10% é uma oportunidade para quem entende de tijolo e tem paciência. O fundo tem caixa para comprar mais imóveis, alavancagem negativa, ocupação total e inquilinos de altíssima qualidade. O DY de 11,8% é competitivo e isento. Mas, como sempre, não é recomendação – é análise.
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Vale a pena para o seu perfil?
- Se você busca: um FII de tijolo com renda estável, diversificação geográfica e setorial (varejo de rua, atacarejo, logística), gestão ativa e histórico de crescimento, o GARE11 merece estar na sua lista de observação.
- Se você não tolera volatilidade: a cota pode oscilar com o humor do mercado (juros, notícias macro). E o desconto pode continuar por meses.
Na minha visão, é um dos fundos de tijolo base dez mais sólidos da atualidade, mas o preço da cota (R$ 8,44) com P/VP de 0,90 – 10% de desconto – reflete o ceticismo do mercado com o setor de renda urbana e logística? O desconto parece exagerado, mas cada um decide.
O que eu faria (e você decide): se já tenho reserva de emergência e outros FIIs na carteira, uma pequena posição em GARE11 no nível de R$ 8,40 – R$ 8,50 pode fazer sentido para buscar yield com qualidade. Mas não mais do que 10% do patrimônio em um único fundo.
Aviso importante: Este artigo é uma análise com visão individual baseada em documentos públicos (Relatório Gerencial de abril/2026). Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Cada investidor deve avaliar sua própria realidade e perfil de risco. Rentabilidade passada não garante retorno futuro. Fundos imobiliários não são garantidos pelo FGC.
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