Por Que os Rendimentos Caíram e o Que a Mudança Estratégica Revela

VGHF11 Por que os rendimentos caíram em 2025 e o que esperar em 2026

O VGHF11 (fundo base 10), listado na B3, é um dos fundos imobiliários mais comentados do mercado brasileiro. Com mais de 389 mil cotistas e liquidez diária média de R$3,7 milhões, o fundo tem atraído atenção tanto de investidores iniciantes quanto de experientes. No entanto, os relatórios recentes revelam uma tendência que preocupa: Por que os rendimentos caíram em 2025 e o que esperar em 2026?

Neste artigo, vamos analisar os motivos dessa redução, explorar as mudanças estratégicas na carteira e discutir o que esperar para 2026.

A trajetória de queda dos rendimentos do VGHF11

O ano de 2025 começou promissor para o fundo, com distribuições de R$0,09 por cota. Em junho, houve um pico de R$0,10, mas desde então os valores caíram para R$0,09 em julho e agosto, R$0,08 em setembro e R$0,07 em outubro, novembro e dezembro.

Essa trajetória preocupa porque outros fundos comparáveis — como MANA11, BTHF11 e CPTS11 — mantiveram distribuições mais robustas. Isso reforça a percepção de que o VGHF11 perdeu competitividade no segmento de fundos imobiliários de crédito.

Gráfico da evolução dos dividendos em 2025

O gráfico mostra claramente o pico em junho e a queda subsequente até o final do ano. Essa visualização ajuda a entender o impacto direto das mudanças estratégicas na distribuição de proventos.

Mudanças estratégicas na carteira do VGHF11

O relatório de novembro de 2025 revela uma transformação significativa na alocação de ativos. Antes concentrado em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), o fundo agora tem quase 50% do patrimônio líquido em cotas de outros FIIs, enquanto a exposição a CRIs caiu para 34%.

Essa mudança traz implicações importantes:

  • CRIs: oferecem receitas mais previsíveis e fluxo de caixa estável.
  • Cotas de FIIs: introduzem variabilidade, pois dependem da performance dos fundos investidos e de suas políticas de distribuição.

Em outras palavras, o VGHF11 deixou de ser um fundo essencialmente de crédito imobiliário para se tornar um fundo híbrido, mais exposto às oscilações do mercado.

IPCA vs CDI: impacto nos rendimentos

Outro ponto relevante é a predominância de operações indexadas ao IPCA (cerca de 75%), em detrimento do CDI (25%).

Em um cenário de Selic elevada, essa escolha pode limitar o potencial de receita. Outros fundos têm buscado maior equilíbrio entre IPCA e CDI, criando resiliência em diferentes ciclos econômicos. O VGHF11, ao apostar fortemente no IPCA, pode estar mais vulnerável a períodos de inflação baixa ou desaceleração econômica.

Carteira Valor vs Carteira Renda

A Valora Gestão de Investimentos tem dividido o patrimônio entre duas frentes:

  • Carteira Valor: voltada para ganhos de capital. Em novembro, houve compras líquidas de R$43,3 milhões, incluindo ações da BM Varejo S.A. e cotas de FIIs.
  • Carteira Renda: focada em geração de renda mensal. No mesmo período, ocorreram vendas líquidas de R$4,6 milhões em CRIs, gerando ganhos pontuais.

Essa dualidade mostra uma tentativa de equilibrar crescimento patrimonial e distribuição de renda. No entanto, o desafio é manter a atratividade para cotistas que priorizam proventos mensais consistentes.

Diversificação e riscos do VGHF11

Um aspecto positivo é a redução da concentração em ativos específicos. Antes, havia grande exposição em papéis como os da construtora Realbo. Hoje, a maior posição individual (CRI MABU) representa apenas 3% do patrimônio líquido.

Essa diversificação reduz riscos idiossincráticos, mas também pode limitar ganhos expressivos em ativos individuais.

Perspectivas para 2026

Em novembro, o fundo gerou R$14,8 milhões em receitas e distribuiu R$11,3 milhões, mantendo um excedente. Isso abre espaço para uma eventual recuperação dos rendimentos para R$0,08 por cota em 2026, caso o desempenho se mantenha.

No entanto, a estratégia híbrida pode significar que os cotistas terão de conviver com maior variabilidade nos proventos, em troca de maior potencial de valorização patrimonial.

Conclusão: adaptação ou perda de identidade?

O VGHF11 está em transição. De um fundo tradicionalmente focado em crédito imobiliário, caminha para um modelo híbrido, com forte exposição a outros FIIs e ativos variáveis.

Essa mudança pode ser vista como uma adaptação estratégica a um mercado em transformação, mas também pode representar uma diluição de seu diferencial competitivo.

Para o cotista, a questão central é: vale a pena manter posição em um fundo que distribui menos, mas busca maior diversificação e potencial de valorização patrimonial?

Disclaimer: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve avaliar seus objetivos e perfil de risco antes de tomar decisões financeiras.

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