Por Anderson Nascimento em 26 de outubro de 2025
Se você sentiu que os preços deram uma trégua no supermercado ou no posto de gasolina neste mês, não foi impressão sua. A prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15, subiu apenas 0,18% em outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE. Esse número representa uma desaceleração significativa em relação a setembro, quando o índice havia avançado 0,48%.
E mais: o resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetavam uma alta de 0,25%, conforme levantamento da Reuters. Para quem acompanha os preços com atenção — ou simplesmente tenta fazer o salário render — essa é uma notícia que merece destaque.
O que é o IPCA-15 e por que ele importa?
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) é considerado uma prévia da inflação oficial do país. Ele mede a variação de preços entre o dia 15 do mês anterior e o dia 15 do mês de referência.
Na prática, ele antecipa o que deve vir no IPCA cheio, divulgado no início do mês seguinte. Por isso, é um termômetro importante para o Banco Central, para os investidores — e para todos nós, consumidores.
O que puxou a inflação para baixo?
De acordo com o IBGE, o principal grupo que ajudou a conter a alta foi Alimentação e Bebidas, com queda de 0,02%. Isso significa que alguns itens da sua cesta básica ficaram mais baratos. Também contribuíram negativamente os grupos Artigos de residência (-0,64%) e Comunicação (-0,09%).
Essas quedas ajudaram a compensar altas em outros setores, como:
- Transportes: +0,41%, puxado pela alta nos combustíveis
- Vestuário: +0,45%
- Despesas pessoais: +0,42%
- Saúde e cuidados pessoais: +0,24%
- Habitação: +0,16%
- Educação: +0,09%
Ou seja: apesar de alguns aumentos pontuais, o cenário geral foi de desaceleração.
Acumulado do ano e dos últimos 12 meses
No acumulado de 2025, o IPCA-15 soma alta de 3,94%. Já nos últimos 12 meses, a inflação medida pelo índice foi de 4,94%, abaixo dos 5,32% registrados no período anterior. Em outubro de 2024, o IPCA-15 havia avançado 0,54%.
Esses dados, segundo o G1 Economia, mostram que, embora a inflação ainda esteja presente, o ritmo está mais controlado.
O que isso significa para o seu bolso?
Na prática, uma inflação mais baixa significa que o seu dinheiro perde menos valor com o tempo. Isso é especialmente importante para quem vive com orçamento apertado — ou está tentando guardar dinheiro.
Além disso, a desaceleração da inflação pode influenciar a política de juros do Banco Central. Se os preços continuam sob controle, há mais espaço para reduzir a taxa Selic no futuro — o que pode baratear o crédito e estimular a economia.
Mas atenção: isso não significa que tudo vai ficar mais barato de uma hora para outra. A inflação ainda existe, só está subindo mais devagar. E os preços que já subiram dificilmente voltam ao patamar anterior.
E os combustíveis?
O grupo Transportes teve alta de 0,41%, puxado principalmente pelos combustíveis. Isso mostra que, mesmo com a desaceleração geral, o preço da gasolina e do diesel ainda pesa no bolso do consumidor.
Segundo o IBGE, esse grupo foi o que mais impactou o índice no mês. E como o transporte influencia o custo de praticamente tudo — de alimentos a serviços — é um ponto que merece atenção.
O que esperar daqui pra frente?
Segundo analistas ouvidos pelo G1, a tendência é de que a inflação continue desacelerando nos próximos meses, especialmente se os preços dos alimentos e da energia se mantiverem estáveis.
Mas o cenário ainda exige cautela. Fatores como o clima, o câmbio e os preços internacionais do petróleo podem mudar o jogo rapidamente.
Conclusão: uma boa notícia, mas com pés no chão
A desaceleração do IPCA-15 é um alívio — e mostra que as medidas de controle da inflação estão surtindo efeito. Mas isso não significa que os problemas acabaram.
Ainda vivemos em um país com custo de vida alto, renda apertada e muitos desafios econômicos. Por isso, mais do que comemorar, é hora de continuar atento: controlando gastos, buscando melhores formas de investir e acompanhando os movimentos da economia.

