Enquanto o Banco Central não sinaliza o fim do ciclo de juros altos, uma pergunta queima na mente de todo investidor: para onde irá o dinheiro nos Fundos Imobiliários em 2026?
Para responder, fui atrás das previsões das principais gestoras do país. O consenso é claro: o ano será de oportunidades, mas a escolha do setor fará toda a diferença entre apenas acompanhar o mercado ou superá-lo.
1. FIIs de Papel: a “renda fixa turbinada”
Como mostram as opiniões de Bruno Nardo (RBR) e Rodrigo Possenti (Fator), os fundos de CRI devem continuar na dianteira.
Na minha visão, isso faz todo sentido: com o CDI ainda em patamar elevado no começo do ciclo de cortes, esses fundos seguem como a “renda fixa turbinada” do mercado de FIIs, atraindo fluxo que busca segurança com yield atrativo.
Além disso, são dinâmicos e permitem ajustes rápidos de carteira, o que dá flexibilidade em um cenário de transição monetária.
2. Galpões logísticos e industriais: o motor da economia real
Marcos Freitas (AZ Quest) e Raul Lemos (TRX) destacam que logística continua sólida, com vacância baixa e demanda crescente.
Eu concordo: basta olhar para o e-commerce e para a indústria. Galpões modernos são hoje o “coração” da economia real. Quem investe nesse setor não está apenas comprando tijolo, mas sim participando da engrenagem que move o consumo e a produção.
Com juros mais baixos, novos projetos devem finalmente sair do papel, ampliando ainda mais as oportunidades.
3. Shoppings, renda urbana e híbridos: diversificação inteligente
Bruno Nardo (RBR) vê potencial nos shoppings, e Marcos Baroni (Suno) reforça a força da renda urbana.
Minha leitura: esses setores são a aposta na resiliência do consumo brasileiro. Shoppings se reinventaram, misturando lazer e serviços, enquanto renda urbana mostra capacidade de giro de carteira e geração de resultados adicionais.
Fundos híbridos, como o ZAGH11, trazem diversificação e podem ser uma boa porta de entrada para quem busca exposição ampla sem abrir mão de desconto patrimonial.
4. Escritórios: cautela máxima
Pedro Ernesto (TG Core) e Marcos Baroni (Suno) são claros: escritórios ainda enfrentam vacância elevada e recuperação lenta.
Na minha opinião, esse é o setor que exige sangue frio e seletividade extrema. Há oportunidades em ativos muito depreciados, mas é preciso olhar localização, qualidade e governança. Para o investidor iniciante, não é o melhor ponto de partida em 2026.
5. Desenvolvimento imobiliário: visão de longo prazo
Pedro Ernesto (TG Core) aponta que desenvolvimento residencial pode entregar retornos reais no médio e longo prazo.
Eu vejo esse segmento como uma aposta estratégica: não é para quem busca renda imediata, mas sim para quem quer participar da valorização estrutural do mercado imobiliário. Governança e qualidade de gestão serão determinantes.
FAQ: Perguntas frequentes sobre FIIs em 2026
1. Qual o maior risco para os FIIs em 2026?
A velocidade da queda da Selic e a inflação. Se o ciclo de cortes for mais lento, alguns setores podem sofrer.
2. Investidor iniciante deve focar em qual setor?
Na minha visão, FIIs de papel e logística são os mais seguros para começar.
3. Escritórios ainda valem a pena?
Sim, mas apenas para quem tem apetite ao risco e paciência para esperar recuperação.
4. Como escolher um fundo dentro de cada setor?
Olhe histórico de distribuição, vacância, governança e qualidade dos ativos. O setor dá a direção, mas o fundo específico faz a diferença.
Conclusão
Portanto, 2026 não será o ano de ‘jogar dinheiro em qualquer FII’. Será o ano da seletividade. O mapa traçado pelas principais gestoras aponta papel e logística como os setores mais quentes, enquanto escritórios exigem cautela extrema.
Em resumo, 2026 pede menos pressa e mais tato. Sugestão é usar análises setoriais como um guia de partida, mas nunca substituir seu próprio estudo. A carteira vencedora será construída por quem souber cruzar a visão macro do setor com a análise micro de cada fundo — observando histórico, governança e fundamentos específicos.
Lembre-se: a oportunidade está no setor, mas o segredo — e o potencial de um retorno acima da média — está na escolha criteriosa do ativo. A seletividade nunca foi tão valiosa.
Disclaimer
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Não constitui recomendação de investimento. Antes de aplicar em qualquer ativo, avalie seu perfil de investidor e consulte profissionais autorizados.
Fontes principais
- FIIs em 2026: quais segmentos têm mais chance de “decolar”? – FIIs.com.br
- Patria compra RBR, gestora de 12 fundos imobiliários – FIIs.com.br
- AZ Quest lança fundo com retorno potencial de quase 15% ao ano – FIIs.com.br
- TGAR11 faz novos aportes milionários e movimenta carteira – FIIs.com.br
- Fundos imobiliários e Fiagros ficam livres de tributação – FIIs.com.br


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