Segundo reportagem da InfoMoney publicada em 26 de dezembro de 2025, “o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,3% em outubro, enquanto o crédito privado cresceu 257% no ano”. O estoque total de crédito chegou a R$ 7 trilhões, e os juros médios para pessoas físicas alcançaram 59,4% ao ano, o maior nível desde 2017. A pergunta é: Consignado CLT Vale a Pena?
O consignado CLT é uma armadilha que está levando milhões de famílias ao endividamento? Vamos ver isso e muitas neste artigo.
O que os números revelam
- Endividamento em 49,3% da renda: quase metade do que as famílias ganham está comprometida com dívidas.
- Consignado privado cresceu 257%: saltou de R$ 1,6 bilhão para mais de R$ 6 bilhões mensais.
- Juros médios em 59,4% ao ano: mesmo modalidades consideradas “baratas”, como o consignado, tiveram alta de 18% em 12 meses.
O especialista Jorge Azevedo lembra que o endividamento não é sempre ruim — pode ser “dívida boa”, como financiar um veículo para trabalho. Mas o problema é quando o crédito serve apenas para consumo imediato, sem gerar renda futura.
Por que o consignado disparou
- Facilidade de acesso
- Bancos digitais e fintechs ampliaram a oferta.
- O programa Crédito do Trabalhador incluiu CLTs, MEIs e motoristas de aplicativo.
- Sensação de segurança
- O desconto direto na folha dá a impressão de controle.
- Mas, na prática, reduz a renda líquida disponível e pode levar ao uso recorrente do crédito como extensão do salário.
- Renda insuficiente
- Com inflação e salários estagnados, muitas famílias recorrem ao consignado para pagar despesas básicas.
- O dinheiro do empréstimo “acaba antes da dívida”, criando um ciclo de renovação.
O risco do ciclo das dívidas
O consignado parece vantajoso, mas esconde armadilhas:
- Redução imediata da renda líquida: o desconto automático limita o orçamento.
- Dependência do crédito: famílias passam a usar empréstimos como complemento do salário.
- Juros crescentes: mesmo com taxas menores que outras modalidades, o aumento de 18% em um ano pressiona o orçamento.
- Inadimplência futura: com juros altos e renda comprometida, cresce o risco de não conseguir pagar.
Simulação R$ 10 mil no consignado
Vamos imaginar um trabalhador CLT que pega R$ 10 mil em consignado.
- Taxa média: 57% ao ano (aprox. 3,8% ao mês).
- Prazo: 36 meses (3 anos).
A parcela mensal ficaria em torno de R$ 550 a R$ 600. Parece administrável, mas veja o impacto:
- O trabalhador que ganha R$ 3.000 líquidos terá uma redução de quase 20% na renda mensal.
- Ao final dos 3 anos, terá pago cerca de R$ 19.800 — quase o dobro do valor emprestado.
Se o empréstimo for para quitar uma dívida mais cara (como cartão de crédito a 140% ao ano), pode ser uma boa estratégia.
Mas se for para consumo imediato (viagem, compras), vira uma armadilha: o dinheiro acaba antes da dívida.
Empréstimo CLT e Juros Altos — Uma Combinação Perigosa
Empréstimo consignado CLT e juros altos são duas coisas que não combinam. Juros altos significam empréstimo caro, e empréstimo caro significa custo de vida ainda mais pesado. Nesse cenário, cada parcela reduz sua renda mensal, e você passa a precisar de mais e mais dinheiro para manter o mesmo padrão. É como correr em uma esteira que nunca para: quanto mais você corre, mais cansado fica, mas nunca chega ao fim.
Essa espiral pode quebrar uma pessoa. Dívidas não são apenas números em uma planilha: elas trazem estresse, ansiedade e até depressão. O peso emocional de ver o salário encolher mês após mês pode ser devastador.
A melhor estratégia, sempre, é não pegar o empréstimo. Mas se for inevitável, que seja usado com sabedoria e prudência:
- Para quitar dívidas mais caras, como cartão de crédito ou cheque especial.
- Para investir em algo que realmente gere renda futura.
- Nunca para consumo imediato ou desejos passageiros.
O crédito não é inimigo, mas pode se tornar um vilão se usado sem planejamento. O segredo está em avaliar o custo-benefício e se perguntar: “Essa parcela cabe no meu orçamento? Esse empréstimo vai me ajudar a crescer ou apenas me prender ainda mais?”
Perspectiva para 2026
A InfoMoney destaca que o próximo ano será um “cabo de guerra”:
- Freio: Selic em 15% até março deve restringir consumo.
- Alívio: isenção do IR para salários até R$ 5 mil deve injetar renda extra.
O risco é que essa renda adicional seja usada para mais consumo e crédito, e não para quitar dívidas. Isso reforça a necessidade de educação financeira e mudança de hábitos.
Planejamento: o divisor de águas
Não vou ser hipócrita e dizer que empréstimo é sempre ruim. A realidade é difícil, e muitas vezes o crédito é a única saída. Mas tudo depende de planejamento e custo-benefício.
Perguntas que você deve se fazer antes de pegar consignado:
- A parcela cabe no meu orçamento sem comprometer necessidades básicas?
- O empréstimo vai gerar renda ou apenas consumo?
- Quanto vou pagar no total? Vale o custo?
- Se meu salário cair ou eu perder o emprego, consigo manter o pagamento?
Conclusão
O aumento do endividamento das famílias brasileiras é reflexo direto da combinação de juros altos, renda insuficiente e uso crescente do consignado CLT. O problema não está apenas nos números, mas nos hábitos que sustentam esse ciclo.
Com organização, disciplina e mudança de comportamento, é possível transformar a relação com o dinheiro. O consignado pode ser útil em situações específicas, mas não deve virar extensão do salário.
Vale a pena o empréstimo CLT? Não vale a pena sem educação financeira, sem planejamento e sem um destino certo para o recurso. Você pode perder até 30% da renda, acabar pedindo outro empréstimo e, assim, perder tudo — inclusive a estabilidade da família. O dinheiro impacta diretamente na vida das pessoas, e dívidas podem arruinar vidas e relacionamentos.
A verdadeira liberdade financeira não virá de mais crédito, mas de novos hábitos: gastar melhor, investir com consciência e celebrar cada avanço.
FAQ: Perguntas e Respostas
1. O consignado CLT vale a pena? Depende. Ele pode ser útil para quitar dívidas mais caras, como cartão de crédito ou cheque especial, mas não deve ser usado para consumo imediato. Sem planejamento, vira uma armadilha que reduz sua renda e aumenta o risco de endividamento.
2. Qual o risco de pegar empréstimo consignado? O desconto direto na folha dá a sensação de segurança, mas reduz sua renda líquida. Isso pode levar ao ciclo de dívidas, já que você passa a depender de crédito para complementar o salário.
3. Qual a taxa média do consignado CLT em 2025? Segundo o Banco Central, os juros chegaram a cerca de 57% ao ano. Isso significa que um empréstimo de R$ 10 mil pode custar quase o dobro ao final do contrato.
4. Posso usar consignado para comprar bens de consumo? Não é recomendado. O ideal é usar para reorganizar dívidas ou investir em algo que gere renda. Usar para consumo imediato é como trocar um problema por outro maior.
5. Como evitar dívidas em 2026? Planeje o orçamento, crie uma reserva de emergência e evite usar crédito como extensão do salário. A melhor estratégia é gastar menos do que ganha e usar o crédito apenas com prudência.
6. O que acontece se eu perder o emprego e tiver consignado? O risco aumenta. Embora o consignado seja descontado direto da folha, em caso de demissão, a dívida continua. É essencial avaliar se você teria condições de manter o pagamento em cenários adversos.
7. Empréstimo consignado pode arruinar famílias? Sim. Dívidas trazem estresse, ansiedade e até depressão. Quando o salário líquido cai muito, a família inteira sente o impacto. Por isso, o crédito deve ser usado com sabedoria e nunca como solução rápida para consumo.
8. Qual a melhor alternativa ao consignado? Antes de recorrer ao crédito, tente renegociar dívidas, cortar gastos supérfluos e criar novos hábitos financeiros. Pequenas mudanças podem ter grande impacto. Veja mais sobre isso no artigo Como 3 mudanças de hábito do livro O Poder do Hábito podem transformar suas finanças.

